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Retirado do Livro: A
Galinha-D'Angola de
Arno Vogel
Marco Antonio da Silva Mello
José Flávio Pessoa de Barros
Editora Pallas
- A -
ÀÀJÀ – Sineta de metal composta de
uma, duas ou mais campainhas utilizadas por
pais-de-santo (vd.) para incentivar o transe. Também chamado Adjarin.
ABIÃ – Posição
inferior da escala hierárquica dos candomblés ocupada pelo candidato
antes do seu noviciado; em yorùbá significa "aquele que vai
nascer".
ABORÔ – Denominação genérica
dos òrìsà (vd.) masculinos, por oposição as iabás, que
são as divindades femininas.
ADAHUN – Tipo de ritmo acelerado
e contínuo executado nos atabaques (vd.) e agogós (vd.).
É empregado sobretudo nos ritos de possessão como que para invocar os òrìsà
(vd.).
ADE – Termo com que se designam
(nos candomblés) em especial os efeminados e, genericamente, os
homossexuais masculinos.
ADÓSÙU – Diz-se daquele que
teve o osùu (vd.) assentado sobre a cabeça. 0 mesmo que iaô.
ADUFE – Pequeno
tambor. Instrumento de percussão de uso mais frequente nos xangôs (vd.)
no Nordeste.
AFIN – 0 mesmo que ifin. Designa
a noz-de-cola branca, na língua yorùbá; por extensão a cor
branca (vd. efun).
ÀGBO – Infusão proveniente
do maceramento das folhas sagradas as quais se vem juntar o sangue dos
animais utilizados no sacrifício e substancias minerais como o sal.
Esse Iíquido, acondicionado em grandes vasilhames de barro (porrões),
é empregado ao longo do processo de iniciação e para fins medicinais
sob a forma de banhos e beberagens.
AGÈ – Instrumento musical
constituído por uma cabaça envolta numa malha de fios de contas, de
sementes ou búzios (vd.).
AGERE – Ritmo dedicado a Òsóòsi
executado aos atabaques (vd.).
AGOGO – Instrumento musical composto de
uma ou mais campânulas, geralmen te
de ferro, percutido por uma haste de metal.
AGONJÚ – Um dos doze nomes de Sòngó
(vd.) conhecidos no Brasil.
AIYÉ – Palavra de origem yorùbá
que designa o mundo, a terra, o tempo de vida e, mais amplamente, a
dimensão cosmológica da existência individualizada por oposição a òrun
(vd.), dimensão da existência genérica e mundo habitado pelos òrisà
(vd.), povoado, ainda, pelos espíritos dos fiéis e seus ancestrais
ilustres.
ÅJÀLÁ – vd. Òòsàálá
AJALAMO – vd.
Òòsàálá
AJOGÚN – Palavra
de origem yorùbá que designa os infortúnios, como a morte, a
doença, a dor intolerável e a sujeição.
ÀKÀSA – Bolinhos de massa fina
de milho ou farinha de arroz cozidos em ponto de gelatina e envoltos,
ainda quentes, em pedacinhos de folha de bananeira. (Acaçá)
AKIDAVIS – Nome dado nos candomblés
Kétu e Jeje (vd. Nação) as baquetas feitas de pedaços
de galhos de goiabeiras ou araçazeiros, que servem para percutir os atabaques
(vd.).
ÁLÁ – Pano branco usado
ritualmente como pálio para dignificar os òrìsà (vd.)
primordiais. Geralmente feito de morim.
ALABÊ – Título que designa o
chefe da orquestra dos atabaques (vd.) encarregado de entoar os cânticos
das distintas divindades.
ALAMORERE – vd. Òòsàálá.
ALÉKESSI – Planta
dedicada a Òsóòsi (vd.). Também conhecida como São Gonçalinho
– Casaina silvestre, SW. F LACOURTIACEAE.
ALIÀSE – vd. runko.
AMACIS (ou
AMASSIS) – Abluções rituais ou banhos purificatórios feitos
com o líquido resultante da maceração de folhas frescas. Entram
geralmente em sua composição as folhas votivas do òrìsà do
chefe-de-terreiro do iniciando, e as assim chamadas '"folhas
de nação" (vd.).
ANIL – vd. Wàjì.
ANGOLA – vd.
Nação.
ANGOMBAS – vd.
Atabaques.
ARREBATE – Abertura
rítmica das cerimonias publicas dos candomblés. 0 modo vibrante de
tocar os atabaques (vd.); eqüivale a uma convocação.
ÀSE – Termo de múltiplas acepções
no universo dos cultos: designa principalmente o poder e a força vital.
Além disso, refere-se ao local sagrado da fundação do terreiro, tanto
quanto a determinadas porções dos animais sacrificiais, bem como ao
lugar de recolhimento dos neófitos (vd. Runko). É usado ainda
para designar na sua totalidade a casa-de-santo e a sua linhagem.
ASSENTAMENTO – Objetos ou
elementos da natureza (pedra, árvore, etc.) cuja substância
e configuração abrigam a força dinâmica de uma divindade.
Consagrados, são depositados em recintos apropriados de uma casa-de-santo.
A centralidade do conjunto é dada por um òta, pedra-fetiche
do òriìsà (vd.).
ATABAQUES – Trio de instrumentos
de percussão semelhantes a tambores que orquestram os ritos de candomblé.
Apresentam-se em registro grave, médio e agudo, sendo
chamados respectivamente Rum, Rumpi e Lé (ou Runlé). Nos
candomblés angola são chamados de Angombas. Sua utilização
no âmbito das cerimonias, cabe a especialistas rituais (vd.
Alabê e Ogã).
AXOGUN – Importante
especialista ritual encarregado de sacrificar, segundo regras precisas,
animais destinados ao consumo votivo.
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BABAÇUÉS – vd. Candomblés.
BÀBÁLÁWO – Sacerdote
encarregado dos procedimentos divinatórios mediante o òpèlè
de Ifá, ou rosário-de-Ifá.
BABALORIXÁ – Sacerdote chefe
de uma casa-de-santo. Grau hierárquico mais elevado do corpo
sacerdotal, a quem cabe a distribuição de todas as funções
especializadas do culto. É o mediador por excelência entre os homens
e os òrìsà. 0 equivalente feminino é denominado ialorixá.
Na linguagem popular, são consagrados os termos pai e mãe-de-santo.
Nos candomblés jeje – doté e vodunô; e nos angola
– tata de inkice.
BABALOSSAIN – vd. Olossain.
BANHA-DE-ORI – Espécie
de gordura vegetal obtida pelo processamento das amêndoas
do fruto de uma árvore africana que é vendida nos mercados
brasileiros para uso ritual nas casas-de-santo. Diz-se também
"banha-de-Oxalá" e "limo-da-costa". A mesma
denominação é dada a gordura de origem animal extraída do
carneiro.
BANHOS – vd. Àgbo. vd. Amacis.
BARCO – Termo
que designa o grupo dos que se iniciam em conjunto. Suas dimensões
são variáveis. Há barcos de mais de vinte neófitos e "barcos-de-um-só".
Através do barco se consegue a primeira hierarquização dos seus
membros na carreira iniciática. Como unidade de iniciação gera
obrigações e precedências imperativas
entre os irmãos-de-barco ou irmãos-de-esteira.
BARRACÃO – vd. Casa-de-santo.
BATUCAJÉ – Com
este termo costumava designar-se a percussão que acompanha as
danças nos terreiros; por extensão designa também as danças.
BATUQUES – vd. Batucajé. vd. Candomblés.
BOMBOJIRA – vd. Èsù.
BORÍ – Ritual
que, juntamente com a lavagem-de-contas, abre o ciclo iniciático.
Fora deste ciclo, rito terapêutico.
Em ambos os casos, consiste em "dar de comer e beber a cabeça".
BÚZIOS – Tipos de conchas de uso
recorrente na vida cerimonial dos candomblés.
Especialmente servem às práticas do dilogun
– sistema divinatório onde são empregados
geralmente dezesseis búzios.
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C –
Cabaça – Fruto do cabaceiro (Cucurbita
lagenaria L., ou Lagenaria vulgaris
–cucurbitácea, e outras espécies).
Sua carcaça é freqüentemente utilizada nos cultos afro-brasileiros
como utensílio, instrumento musical" insígnia de òriìsà ou
mesmo para representar a união de Obàtálá e Odùduwà (o Céu
e a Terra).
CABOCLOS – Espíritos ancestrais
cultuados nos candomblés-de-angola, de caboclos
e na umbanda. São representados,
geralmente, como índios do Brasil ou de terreiros
da África mítica.
CAMARINHA – vd. Runko.
CANDOMBLÉS – Designação
genérica dos cultos afro-brasileiros. Costumam, no entanto,
distinguir-se pelas suas designações regionais: candomblés (leste-setentrional,
especialmente Bahia), xangôs (nordeste-oriental, especialmente
Pernambuco), tambores (nordeste
ocidental, especialmente São Luís do Maranhão), candomblés-de-caboclo
(faixa litorânea, da Bahia ao
Maranhão), catimbós (Nordeste), batuques
ou parás (região
meridional, Rio Grande do Sul,,Santa Catarina e Paraná), batuques e
babaçuês (região setentrional, Amazonas, Pará e Maranhão),
macumba (Rio
de Janeiro e São Paulo).
CANDOMBLÉS-DE-CABOCLO – vd. Caboclo.
vd. Candomblés.
CASA-DE-SANTO – Designação
do espaço circunscrito que constitui a sede de um grupo de culto.
Costuma chamar-se também de ilé (kétu), roga e terreiro
(angola) e, em alguns casos, barracão.
Este ultimo termo serve também para designar o recinto onde ocorrem
as festas públicas.
CATIMBO – vd. Candomblés.
CAURIS – vd.
Búzios.
CAXIXI – Chocalho
de cabaça e de vime trançado, contendo sementes ou seixos. Em alguns
casos, vasilhames rituais em miniatura.
CESTO-DA-CRlAÇÃO – 0
saco-de-existência (àpò aiyé), que, na cosmologia do povo-de-santo,
Olódùmarè deu a Obàtálá para que criasse o mundo a flor
das águas primordiais. Foi, no entanto, Odùduwà quem verteu o
seu conteúdo sobre a superfície das águas.
CONGO – vd. Nação.
CONTRA-EGUN – Trança
de palha-da-costa que os neófitos trazem amarrada nos dois braços,
logo abaixo do ombro, com a finalidade de afastar os espíritos dos
mortos.
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DAN – Serpente sagrada (Daomé
– Benin) representando a eternidade e a mobilidade sob a figura de uma
cobra que engole a própria cauda. Genericamente designa os filhos-de-santo
da nação jeje; encontrando-se sincretizada com Òsùmàrè
e Besen.
DANDALUNDA – vd.
Yemoja.
DEFUMADOR – Composto
de essências aromáticas, folhas e cascas, usado ritualmente em fumigações
propiciatórias e terapêuticas.
DENDÊ – Palmeira africana
aclimatada no Brasil (Elaeis guineensis; Jacq.) de ampla utilização
na liturgia dos candomblés. 0 óleo obtido dos seus frutos
(azeite-de-dendê) é considerado indispensável para a elaboração de
grande parte das comidas-de-santo. Suas folhas servem para guarnecer
entradas e saídas das casas-de-santo
(vd. màrìwò).
DESPACHO – Tipo
de oferenda dedicada a Èsù, quer no início das crimônias
(vd.Pàdé), quer nas encruzilhadas, nos matos, rios e cemitérios.
DIA-DO-NOME – vd. Orúko.
DIJINA – Nome
iniciático dos filhos-de-santo dos candomblés
de nação angola.
DILOGUN (Érìn dínlógun) – Nome
dado à adivinhação com búzios que podem ser de 4 a 36 (mais
comumente 16). Nesse jogo de Ifá as respostas ao oráculo
são dadas por Èsù.
DÓBÁLÈ – Cumprimento
prescrito aos iniciados de òrìsà femininos diante dos lugares
consagrados ao culto, pai ou mãe-de-santo, òrìsà e graus
hierárquicos elevados. 0 termo iká designa o seu correspondente
para o caso de filhos-de-santo de
brisa masculinos.
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EBO – Termo que
designa, genericamente, oferendas e sacrifícios, Usa-se também trabalho,
despacho e, as vezes, feitiço.
EBÔMIN – Pessoa veterana no
culto; título adquirido após a obrigação
de sete anos. Opõe-se a iaô, sendo
equivalente a vodunci.
ÈÈWÒ – vd.
Quizila.
EFUN – Nome
dado a argila branca com que são pintados os neófitos. Essa pintura
corresponde ao que se chama de "mão-de-efun" (vd. 18-Efun).
Como sinônimo de efun ocorre, também, afin.
EGÚN – Nome
genérico dos espíritos dos mortos.
EGÚNGÚN – Espíritos dos
ancestrais, cultuados especialmente em terreiros situados na Ilha
de Itaparica, na Bahia.
ELÉEBO – Aquele em nome do qual
se faz o sacrifício ou oferenda.
ENI – Nome dado a esteira de palha
utilizada pelos neófitos, sobretudo durante o período de reclusão. É
empregada como "mesa", "cama" e "tapete" em
distintos ritos. No candomblé é usual a expressão "irmãos-de-esteira"
para designar o conjunto de neófitos reclusos ao mesmo tempo, e que
eventualmente tenham partiIhado esse artefato simbólico na liturgia da
iniciação.
EQUÉDE – Cargo honorífico
circunscrito às mulheres que servem os òrìsà sem, entretanto,
serem por eles possuídos. É o equivalente feminino de ogã:
ERÉ – Termo
que caracteriza um estágio de transe atribuído a um espírito-criança.
ESSA – Espíritos de ancestrais
ilustres do candomblé.
Èsù – Primogênito da criação.
Também conhecido como Elégbára (jeje) é
popularmente referido como compadre ou homem-da-rua. Suscetível, irritadiço,
violento, malicioso, vaidoso e grosseiro. Dizem que provoca as calamidades
publicas e privadas, os desentendimentos e as brigas. Mensageiro dos' òrìsà
e portador das oferendas. Guardião dos mercados, templos, casas e
cidades. Ensinou aos homens a arte divinatória. Costuma-se sincretizá-lo
com o diabo. Ocorre tanto em representações masculinas como femininas.
Nas casas angola é Bombogira; nas casas angola-congo é
(Exúlonã). Na umbanda tem múltiplas personagens, entre elas, Pomba-gira.
Suas cores são o vermelho e o preto. Saudação – "Laró
yè!".
ESTEIRA – vd.
Eni.
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F –
FAMÍLIA-DE-SANTO – Termo
de referencia que designa os laços de parentesco místico
nos quais incorre o filho-de-santo em virtude da iniciação.
FEITO – 0 mesmo que adósùu e
iaô.
FEITURA – Processo
de iniciação que implica em reclusão, catulagem, raspagem, pintura,
instrução esotérica, imposição do osùu (vd.) e apresentação
publica (vd.) orúko.
FILHO-PEQUENO – Termo
de parentesco místico que se refere a um laço interposto pela iniciação
entre um noviço e seu padrinho, gerando obrigações e deveres
semelhantes aos do compadrio (vd. Mãe-pequena).
FILHO-DE-SANTO – Diz-se
de todo aquele que é afiliado ao candomblé. (vd.Povo-de-santo).
FIRMA – Fecho de colar de forma
cilíndrica. Suas cores indicam a vinculação de seu
portador a um determinado òrìsà.
FÓN – vd. Jeje. vd.
Nação.
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GANZÁ – Instrumento musical de
percussão, semelhante a um chocalho, geralmente de folha-de-flandres e
forma cilíndrica, contendo em seu interior pedaçosde chumbo ou seixos.
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HAMUNYIA – Cadencia executada pelos atabaques
e agogôs que capitula a estrutura dos diferentes toques que
marcam o siré (vd.). Mais conhecida por Avamunha.
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I –
IABÁ – vd. Aborô.
IÁBASSÉ – Especialista
ritual encarregada do preparo das comidas votivas dos òrìsà.
IÁ-EFUN – Especialista
ritual encarregada das pinturas corporais durante o período
de iniciação. Embora esse título honorífico signifique
literalmente "mãe-do-efun", o
ofício litúrgico não se limita às pinturas com o pigmento
branco (efun). São
também empregados: wájí e osùn, respectivamente as cores
azul e vermelho.
IYÁ EGBÉ – Titulo honorífico
importante na hierarquia dos terreiros que distingue sua portadora
como "mãe-da-comunidade".
IÁLAXÉ – Titulo honorifico geralmente
ostentado pela própria mãe-de-santo, significando
"mãe-do-axé" ou "zeladora-do-axé".
IALORIXÁ – vd. 8abalorixá.
IAÔ – Termo que
designa o noviço após a fase ritual da reclusão iniciatória. Em yorùbá
significa "esposa mais jovem".
IFÁ – Deus dos oráculos e da
adivinhação. Senhor do destino. Há quem afirme ser sua representação
a cabaça envolvida por uma trama de fios de búzios. Sua cor é o
branco. Seu dia é a quinta-feira. Conhecido também como Òrúnmìlà,
"somente-o-céu-sabe-quem-será-salvo".
Saudação – "Eèpààbàbá/"
IGBÁ ODÙ – Expressão
yorubá que designa a cabaça ou o artefato litúrgico que contém
no seu interior os elementos simbólicos e as substancias que
tornam possfvel a existência individualizada.
IGBÁ-ORÍ – Expressão yorùbá
que designa, no rito do borí, o recipiente em que vão
sendo depositadas as substancias constitutivas e reveladoras da identidade
do sacrificante. Literalmente significa "cabaça-da-cabeça". Na
liturgia dos candomblés é freqüentemente
utilizada a forma ibá, com o mesmo sentido.
ÌGBÍN – Cadência rítmica
lenta executada pela orquestra cerimonial em louvor a Òòsàálá. 0
termo designa também o molusco gasterópode terrestre, com concha
univalva, corpo prolongado e tentáculos na cabeça. E o caracol
também conhecido como "o boi de Òòsàálá"
e sua oferenda predileta. Na linguagem corrente dos candomblés
é usual a forma ibí.
ÌJÈSÃ – vd. Nação.
IKÁ – vd. Dòbálé.
Ìkóòdíde – Pena
vermelha do papagaio-da-costa (Psittacus eritacus, sp.). Simboliza
o nascimento do novo filho-de-santo e, de um modo geral, a
fecundidade.
ILÉ – vd. Casa-de-santo.
ILÉ-ÒRÌSÀ – Expressão
yorùbá que designa a dependência de uma casa-de-santo
onde se encontram depositadas as
diferentes insígnias e objetos que compõem a representação emblemática
de cada um dos òrìsà. É também
conhecida a forma "quarto-de-santo" ou "casa-do-santo".
INKICE – vd. Òrìsà.
IRMÃO-DE-AXÉ – Termo
de referência que designa a relação de parentesco místico
entre os membros de uma mesma casa-de-santo. Diz-se, também, irmão-de-santo.
IRMÃO-DE-BARCO – vd. Barco.
IRMÃO-DE-ESTEIRA – vd.
Eni.
ÌYÁSAN – Divindade
das tempestades e do Rio Niger, mulher de Ògún, e, depois,
de Sòngó. Relacionada com os
vendavais, os raios e os trovões. Sincretizada com Santa Bárbara. Seu
dia da semana é a quarta-feira. Suas insígnias são a espada e o
espanta-moscas de crinas de cavalo. Suas cores são o vermelho escuro e o
marrom. Considerada a mãe dos egún, que é a única a dominar.
Saudação – "Eparrei !"
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JEJE – vd. Nação. vd. Fón.
JELÚ – Um dos nomes
pelos quais é conhecido Èsù Àjelú ou Ijelú.
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KÉTU – vd. Nação.
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L –
LAVAGENS – Termo genérico pelo qual são
designados os ritos Iustrais dos candomblés.
Esses ritos purificatórios podem ser
exercitados sobre os colares cerimoniais,
as pedras (òtá) consagradas aos òrìsà, e nos templos. A mais
tradicional manifestação publica dessa cerimônia é realizada na Igreja
de N. S. do Bonfim, na Bahia.
LAVAGEM-DE-CONTAS – Rito de agregação
que consiste em lustrar os colares sagrados. Esse ritual marca o
aparecimento do postulante como abiã, vinculando-o a
estrutura hierárquica de uma casa-de-santo.
LÒGÚN EDE – Divindade
yorùbá considerada no Brasil filho de Ibualama ou Inle
(Òsóòsì) e Òsun Yéyéponda. Homem durante seis meses, jovem e caçador.
Nos outros seis, mulher, bela ninfa que só come
peixes. Suas insígnias são o ofà (vd.)
e o leque dourado (abebe) de Òsun. Suas cores são o azul e
o amarelo-ouro translúcido. Seu dia da semana é quinta-feira. Saudação
– "Lóògún!"
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MACUMBAS – vd. Candomblés.
MÃE-CRIADEIRA – Termo
de referência que designa a ebômin encarregada de
atender o noviço durante o seu período de reclusão. É a responsável
pelo preparo e administração dos alimentos; higiene pessoal;
guarda-roupa e instrução do neófito nos mistérios do culto. Por
isso, diz-se que "cria" aquele que está sendo
iniciado.
MÃE-DE-SANTO – vd. Babalorixá.
MÃE-PEQUENA – Título
honorífico feminino que corresponde à segunda pessoa na ordem hierárquica
de uma casa-de-santo. Também ocorre a forma ia-kekerê. Seu
equivalente masculino é pai-pequeno. Diz-se, também, mãe ou
pai-pequeno daquele
que, ao lado da mãe ou pai-de-santo, encarrega-se da formação
do iaô (vd. Filho-pequeno).
MÀRÌWÒ) – As
folhas desfiadas do dendezeiro (Elaeis guyneensis, A. Cheval,
PALMAE) que guarnecem as entradas de uma casa-de-santo contra os egún,
os espíritos dos mortos.
MATAMBA – vd. Ìyásan.
MAWU – vd.
Òòsàálá
MOJÚBÀ – Louvação
endereçada aos ancestrais ilustres, forças da natureza e aos próprios òrìsà,
durante os ofícios litúrgicos.
MUZENZA – Diz-se dos filhos-de-santo
nos candomblés de "nação" angola. 0 mesmo que iaô.
Por extensão, designa a primeira saída pública do neófito no rito
angola. Significa, literalmente, "estranho ser animado", na
etimologia da língua kikongo.
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NAÇÃO – Designa, no Brasil, os
grupos que cultuam divindades provenientes da mesma etnia africana, ou do
mesmo subgrupo étnico. Mo exemplos do primeiro caso as "nações"
congo, angola, jeje, ao passo que o segundo caso é ilustrado por kétu,
ijesà e òyó,correspondentes aos subgrupos da etnia nagô. Trata-se,
na verdade, de categorias abrangentes as quais se reduziram as múltiplas
etnias que o tráfico negreiro fez representadas no Pais. 0 termo tem
servido para circunscrever os traços diacríticos através dos quais se
revela um mundo caracterizado por um notável conjunto de elementos
comuns. Tem servido, além disso, paia hierarquizar esse universo em
termos da maior ou menor "pureza" atribuída a cada "nação"
em virtude de uma suposta fidelidade e autenticidade litúrgicas.
NÀNÁ – Divindade das águas
primordiais, dos pântanos e brejos. Daí associada quer ao limo
fertilizante e a vida, quer a putrefação e a morte. Considerada mãe de Omolú
é sincretizada com Sant'Ana. Suas cores são o vermelho, o branco e o
azul que exibe em seus colares. Sua insígnia é o Ibiri – artefato
confeccionado com a nervura central das folhas do dendezeiro, de ápice
recurvo como um báculo. Seu dia é sábado. Saudação – "Sálùba"
NOZ-DE-COLA – vd.
Obì.
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OBÁ – Terceira mulher de Sòngó,
Obá é a deusa nigeriana do rio do mesmo nome. Muitas vezes se
confunde com Ìyásan, pois, além de casada com Sòngó, usa
também espada de cobre. Na outra mão leva, seja um escudo, seja um leque
com o qual esconde uma de suas orelhas em lembrança do episódio mítico
que deu margem à sua rivalidade com Òsun. No Brasil é
sincretizada com Santa Catarina e Santa Joana d'Arc. Seu dia é
quarta-feira. Seus colares são de contas alternadamente amarelas e
vermelhas de tonalidades leitosas. E saudada como "Obáxireê!"
OBALÚWÀIYÉ – É a
"forma" jovem de Sòpònnón, do qual Omolu é a
"forma" velha. Divindade da varfvola e das moléstias
infecto-contagiosas e epidêmicas, consta como filho de Nàná, criado
por Yemoja, e, portanto, irmão de Òsùmàrè
Veste-se todo de palha, com o que
cobre as suas ulcerações. Sua saudação – "Atotó!"
– significa "Calma!", exigida a um deus tão poderoso e temível.
Sua insígnia é o sàsàra – feixe de nervuras das folhas do
dendezeiro, amarrado com tiras de couro, em vermelho e preto (ou
branco e preto), incrustradas de búzios. É sincretizado, no Brasil, com
São Roque, as vezes, com São Lázaro e ainda com São Sebastião, em
Recife.
OBÀTÁLÁ – vd.Òòsàálá.
ÒBE – Termo
que designa a faca usada nos sacrifícios, por extensão qualquer faca no
jargão do candomblé.
0BÌ – Fruto de uma palmeira
africana (Cola acuminata, Schott. & Endl. – STER-CULIACEAE)
aclimatada no Brasil. Indispensável no candomblé, onde serve de oferenda
para os òrìsà e é usado nas práticas divinatórias simples,
cortado em pedaços.
OBRIGAÇÃO – vd. Ebo.
OBRIGAÇÃO DE SETE ANOS – E
uma das obrigações mais importantes da carreira iniciática. Equivale a
um autentico rito de investidura, a partir do qual, tornando-se ebômin,
o filho-de-santo pode proceder a iniciação de outros.
ODÙ – Pronunciamento oracular
resultante da prática divinatória com o òpèlè (vd.), com os cocos de dendê
(vd.) ou com os búzios (vd.). Há 16 odù primários ou
maiores. Suas combinações com os 16 secundários resultam em 256, cujos
desdobramentos chegam a 4.096. Cada odù é nominado e pertence a
uma divindade.
ODÙDUWÀ – Divindade yorubá, ora
apresentada, nos mitos, como masculino e irmão de Obàtálá (vd.)
(vd. também Cesto-da-criação), ora como feminino e, no caso,
esposa deste ultimo. Odùduwà significa "a cabaça de onde
jorrou a vida". É evocada, no Brasil, em alguns terreiros (vd.)
e, também, no candomblé-dos-eguns de Itaparica (vd. Egúngún).
ODUNDUN – A
folha-da-costa ou saião africano (Kalanchoe brasiliensis, Comb.–
CRASSULACEAE). Uma das folhas rituais mais importantes dos candomblés.
OFÀ – Designa
o instrumento simbólico de Òsóòsi, consistindo num arco e
flecha unidos em metal branco ou bronze.
OGÃ – Título honorífico
conferido, seja pelo chefe do terreiro, seja por um òrìsà incorporado,
aos beneméritos da casa-de-santo, que contribuam com sua riqueza,
prestígio e poder, para a proteção e o brilho do àse (vd.).
Esse tipo de titulatura admite uma série de especificações que
abrangem, desde cargos administrativos, até funções .rituais. A iniciação
dos ogãs é mais breve e se distingue daquela dos iaôs (vd.),
por excluir a catulagem, a raspagem e alguns outros rituais. Tal como as equédes
(vd.) os ogãs não são passíveis de transe.
ÒGÚN – Divindade da forja e dos
usuários do ferro; por extensão, da guerra e da agricultura e, também,
da caça ou de todas as demais atividades que envolvem a manipulação de
instrumentos de ferro. É rei de Iré e por isso chamado, no
Brasil, Oníré. Costuma
ser representado por um semicírculo soldado a base por uma haste, no qual
se encontram, pendurados no arco do semicírculo, todo o tipo de
instrumentos, que, como o conjunto inteiro, são de ferro. E filho de Yemoja
e irmão de Èsú e Òsóòsì. Por isso, tem a ver com os
caminhos, a caça e a pesca. Pertence-Ihe a faca sacrificial – o òbe
(vd.). Os colares são de contas verdes ou azul-escuro (em angola).
Seu dia é a terça-feira. Saudação – "Ògún yé!".
OLÓDÙMARÈ – vd.
Olóòrun.
OLÓÒJÀ – Expressão
yorubá que na língua ordinária significa seja o vendedor, seja o
dono do mercado. Na cosmologia do povo-de-santo, a locução
dono-do-mercado equivale a um dos títulos de Èsú.
OLÓRÍ – Termo
que designa o "dono da cabeça", isto é, o òrìsà pessoal
de cada iniciado (vd. Orí).
OLÓÒRUN – Divindade
suprema yorubá, criador do céu e da terra. Deus do firmamento. É
o Eléeda, "senhor-das-criaturas-vivas"; o eléèémí
"dono-da-vida"; que criou o homem e a mulher a partir do
barro, encarregando seu filho, Obàtálá, de moldá-los e animá-los
com o sopro vivificante. De caráter inamovível, é o numinoso que
permanece fora do alcance dos homens que não Ihe podem render culto. Não
tem insígnias. Sua cor é o branco absoluto. É
também chamado de Olódù-marè.
OLOSSAIN – Sacerdote
encarregado da coleta e da preparação ritual das ervas sagradas na
liturgia dos candomblés. 0 mesmo que babalossain.
ÒÒSÀÁLÁ – Este
é o nome pelo qual se conhece, no Brasil, Obàtálá (o Senhor
do Pano Branco) e significa "o grande òrisà".
Filho de Olóòrun (vd.) foi encarregado por este de criar o
mundo e os homens. Nesta ultima condição é portador dos títulos de Àjàlá,
Àjàlámò e Alá-morerê. Apresenta-se ora como um jovem guerreiro,
simbolizado pelo arrebol – Òsògìnyón, ora como um velho,
curvado ao peso dos anos, simbolizado pelo sol poente – Òsòlúfón.
Suas insígnias, em prata lavrada, são, em conseqüência, ora a
espada e o pilão, ora o òpásorò – um bastão com aros superpostos,
adornados de pingentes, encimados por um passado (em geral uma pomba) –
símbolo do poder. Costuma-se sincretizá-lo com Nosso Senhor do Bonfim.
Sua cor heráldica é o branco e seu dia a sexta-feira. A ele se dedica a
grande festa popular da "lavagem do Bonfim" (vd. Lavagem). Saudação
– "Eèpàà bàbá! Eèpàà
èé!"
ÒPÈLÈ – Colar
aberto no qual se encadeiam oito metades de coquinhos de dende, mediante
um fio trançado de palha-da-costa. É o instrumento divinatório
privativo dos autênticos sacerdotes de Ifá (vd. – Os bàbáláwo
(vd.).
ORÍ – Termo
que designa a cabeça na vida litúrgica dos candomblés. É, além
disso, uma divindade doméstica yorubá guardiã do destino e
cultuada por adeptos de ambos os sexos. Também se diz que é a alma orgânica.perecível,
cuja sede é a cabeça – inteligência, sensibilidade, etc.
ORÍKÌ – Conjunto
de narrativas da saga mística dos òrìsà que proclamam seus feitos.
Ocorre também sob a forma de pequenos enigmas endereçados a uma pessoa
como voto de bons augúrios.
ÒRÌSÀNLÁ – É
um título de Obàtálá, a partir do qual se formou, no Brasil, o
nome Oxalá.
ÒRÌSÀ – Qualquer
divindade yorubá com exceção de Olóòrun (vd.). Seus
equivalentes fón (vd.) são voduns. A designação das
divindades do culto angola-congo que Ihe correspondem é inkice. Essas
equivalências são imperfeitas, pois, ao passo que uns são forças da
natureza, outros são espíritos que retornam sob a representação de
animais, enquanto outros ainda são espíritos ancestrais.
ORÓGBÓ – Fava
de uma planta africana adaptada no Brasil (Garcinia Kola, Hae-ckel,
GUTTIFERAE).
ORÚKO – Expressão
yorubá, empregada na liturgia dos candomblés, que
significa "qual é o teu nome?". Ocorre na mais expressiva
cerimonia publica do candomblé,
conhecida como saída-de-santo,
dia-do-nome, saída-de-iaô e muzenza.
ÒRUN – vd.
Aiyé.
ÒRÚNMÍLÀ – vd.
Ifá.
ÒSÓNYNÌN – Òrìsà das folhas litúrgicas
e medicinais, imprescindíveis para
a realização do culto. Na África é considerado companheiro de Ifá e
também adivinho. Seu emblema são sete hastes de ferro pontiagudas, das
quais a haste central é encimada por um pássaro. As sete hastes estão
soldadas pela base, formando, no seu ápice, um círculo em torno da haste
com o pássaro. As cores das contas de seus colares são o verde (ou azul)
e o vermelho leitoso. Seu dia é, para alguns, a seguinda, e para outros,
a quinta-feira. Sua saudação – "Ewé ó!"
ÒSÓÒSÌ – Filho
de Yemoja, irmão de Ògún (vd.), companheiro de Èsú e
Òsónyìn, este
òrìsà, considerado rei de Kétu, tem o título de ode (o
Caçador). No Brasil é sincretizado, seja com São Jorge (na Bahia), seja
com São Sebastião (no Rio de Janeiro e Porto Alegre). Seu símbolo é o ofà
(vd.). 0 cotar votivo é de contas azul-de-viena (azul esverdeado).
Saudação – "Òkè àró"
ÒSÙMÀRÈ – Costuma
ser identificado com o arco-íris e com a serpente. Representa a
continuidade, o movimento e a eternidade. No Brasil é considerado irmão
de Obalúwàiyé (vd.) e filho de Nàná (vd.),
possivelmente em virtude de sua origem daomeana. Dele se diz que é o Rei
de Jeje. Seu símbolo são as duas cobras que leva nas mãos quando dança,
sendo uma masculina e outra feminina, alusão ao seu caráter duplo de
macho e fêmea. Dia consagrado: terça-feira. Colares de contas verdes e
amarelas listradas. Saudação – "Aróbò bo yí!" Sincretizado
com São Bartolomeu.
ÒSÚN – Divindade
das águas, em particular no Rio Òsún, na Nigéria. E a segunda esposa
de Sòngó, mas foi casada também com Ògún e Òsóòsì. Deste
ultimo casamento nasceu Lògún-ede (vd.). Seus símbolos são o leque
dourado e a espada. É pois uma iabá que se caracteriza pela
coqueteria, gostando de enfeites e jóias de ouro (ou cobre amarelo). Tem
o título de Ialodê – chefe das mulheres do mercado, sendo
sincretizada no Brasil com diversas Nossas Senhoras (da GIória, da Conceição,
do Carmo, das Candeias, da Candelária) e com Santa Luzia. Além disso, é
a Rainha de Òsogbo e Òyó. Seus colares são de contas
amarelo-douradas translúcidas. Saudação – "Rora yèyé
o!" Seu dia é o sábado.
OSÙU – Artefato
cônico, confeccionado a partir de substâncias sagradas de origem animal,
vegetal e mineral, imposto a cabeça do noviço após as incisões
rituaisfeitas sobre o alto do crânio (vd. Adósùu).
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– P
–
PÀDÉ – Rito
que é desempenhado no início das cerimônias do candomblé em homenagem
a Èsù, considerado necessário como rito propiciatório, pois as
primí
c ias
sacrificiais devem caber aquele que é, além de primogênito da criação,
o portador titular de qualquer oferenda. 0 seu não cumprimento é visto
como implicando em perturbação de toda a ordem ritual.
PAI-DE-SANTO – vd.
Babalorixá.
PAI-PEQUENO – vd.
Mãe-pequena.
PALHA-DA-COSTA – Tipo
de palha proveniente da Costa da África, com que se designa a região
sudanesa da África Ocidental (Golfo da Guiné). Usa-se trançada em
diferentes artefatos litúrgicos.
PATÉWÓ ou
ÌPATÉWÓ – Palmas em cad0ncia sincopada empregadas como saudação
aos òrìsà, bem como em circunstâncias que impõem o silencio,
como no caso do recolhimento, para indicar uma necessidade a ser atendida.
Diz-se paô.
PARÁS – vd.
Candomblés.
PEJÍ – Espécie
de altar onde se encontram dispostos os diversos tipos de insígnias da
divindade, como as pedras votivas (òta), armas e demais objetos simbólicos,
e onde estão dispostos os recipientes contendo as comidas ofertadas aos òrìsà.
PEMBAS – Espécie
de giz de diferentes cores que é usado para traçar desenhos mágico-religiosos
e de caráter invocatório. E mais freqüentemente empregado nos ritos de umbanda.
POMBA-GIRA – vd.
Èsù.
POVO-DE-SANTO – Designação
coletiva que abrange o conjunto dos filhos-de-santo
de todos os candomblés.
PRETOS-VELHOS – Termo
que designa um tipo de entidade característica dos cultos de umbanda. Representam
os espíritos de negros escravos que se notabilizaram por sua humildade,
sabedoria e magia. São conhecidos como Vovô/Vovó, Tio/Tia e Pai/Mãe.
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QUEBRA-DE-QUIZILA – vd.
Quizila.
QUITANDA-DE-IAÔ – Rito
do ciclo iniciático em que são rompidos alguns dos tabus que cercam o
noviço. Consiste no desempenho dramático de funções e atividades
evocativas de situaq5es do quotidiano. 0 termo alude, ainda, a venda que o
iaô efetua de produtos variados (frutas, doces, etc.) expostos
sobre tabuleiros,como nas feiras e mercados. A origem do termo quitanda
é kimbundo e significa expor, e, por extensão, feira ou mercado.
QUIZILA – Interdito
ritual; o mesmo que èèwò. Na liturgia dos candomblés há um
ciclo cerimonial, onde se realiza o rompimento dos tabus que circundam o
noviço durante a iniciação, conhecido como quebra-de-quizila. Dele
fazem parte o panán e
a quitanda-de-iaô.
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ROÇA – vd.
Casa-de-santo.
RUM, RUMPI, RUNLÉ – vd.
Atabaques.
RUNKO – Termo
pelo qual se designa o aposento destinado a reclusão dos neófitos
durante o processo de iniciação. f conhecido também como alíase,
camarinha ou
ainda àse.
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SAÍDA-DE-SANTO – vd.
Orúko.
SAKPATÁ – vd.
Obalúwàiyé.
SANTO – vd.
Òrìsà.
SAWORO – Artefato
de palha trançada e que tem como fecho um guizo. 0 noviço deve tê-lo
atado ao tornozelo, e port5-lo durante um largo período ap6s a sua
reclusão. Um dos símbolos cerimoniais da sujeição do iaô numa
casa-de-santo.
SIRI
– Conjunto de danças cerimoniais onde
ocorrem distintos ritmos, cânticos e
estilos coreográficos característicos do desempenho de cada Òrìsà.
SÒNPÒNNÓN
– vd. Obalúwàiyé.
SÒNGÓ – Divindade
iorubana do raio e do trovão. Descendente do fundador mítico da cidade
de Òyò e seu 4º. rei. Seu símbolo é o machado duplo,
notabilizando-se ainda como o dono da pedra-do-raio, indispensável aos seus
assentamentos. E viril, como atestam suas várias esposas (Òsun,
Oba, Oya), violento e guerreiro, distinguindo-se, sobretudo, pelo
seu senso de justiça, aspecto mais desenvolvido da sua representação
no Brasil, e que o liga a São Jerônimo, com quem é sincretizado. Suas
cores são o vermelho e o branco. Seu dia é quarta-feira. Saudação
– "Ká wòóo, ká biyè sí!"
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T –
TAMBORES-DE-MINA – vd.
Candomblés.
TATA-DE-INKICE – vd.
Babalorixá.
TEMPO – É
um índice. Corresponde ao ìrokò nagô. Muitas vezes
seus assentamentos (vd.)
se encontram ao ar livre, isto é, "no tempo". Dele se diz que
é o dono da bandeira branca que distingue as casas-de-santo (vd.).
Seu símbolo é uma grelha de ferro com três pontas-de-lança. É
sincretizado com São Lourenço, santo católico que sofreu o martírio
sobre uma grelha.
TERREI ROS – vd.
Candomblés.
TETEREGUN – Planta
da família das ZINGlBERACEAE
(Costus spicatus, SW.).
É conhecida, ainda, como sangolovô e cana-de-macaco. Na classificação
das folhas liturgias é considerada de agitaçåo.
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VODUN – vd.
Òrìsà.
l/ODUNCI – vd.
Ebômin.
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XANGÔS – vd.
Candomblés.
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YEWÀ – Òrìsà feminino
do rio e da lagoa Yewè, na Nigèria. Uma das iabás, considerada
ora irmã de iyásan, ora esposa de Òsùmáré. Seu nome
significa beleza e graça. As cores de seus colares são o vermelho e o
amarelo. Usa como insígnias o arpão, a âncora e a espada. Ha um vodun
daomeano com o mesmo nome, cultuado em São Luís do Maranhão.
Saudação – "Riró!".
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WÁJÌ – Nome
litúrgico do anil ou índigo, a cor azul-escura.
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